Dois carros iguais, do mesmo ano e na mesma rua, podem ter seguros com preços muito diferentes. Isso acontece porque o valor do seguro, que o mercado chama de prêmio, não depende só do veículo. Ele é o resultado de um cálculo de risco, e três fatores pesam muito nesse cálculo: a franquia que você escolhe, o bônus que você acumulou e o seu perfil como condutor.
Entender cada um deles ajuda a ajustar a apólice para pagar menos sem ficar descoberto quando mais precisa.
1. Franquia: quanto você paga quando usa o seguro
A franquia é a parte do prejuízo que fica com você quando o carro sofre um dano parcial, como uma batida que não causa perda total. Se o conserto custa R$ 8 mil e a franquia é de R$ 3 mil, a seguradora paga R$ 5 mil e você paga R$ 3 mil à oficina.
Em geral, as seguradoras oferecem três opções:
- Franquia reduzida: você paga menos quando usa o seguro, mas o prêmio é mais caro.
- Franquia normal ou obrigatória: o equilíbrio padrão entre prêmio e franquia.
- Franquia majorada: você paga mais quando usa o seguro, e o prêmio fica mais barato.
Importante: em caso de perda total, roubo ou furto do veículo, a franquia normalmente não é cobrada. Ela vale para os danos parciais.
Como escolher: pense no que acontece se você bater o carro amanhã. Se pagar a franquia majorada seria um problema para o seu orçamento, ela não é para você, mesmo que o prêmio seja menor. Se você dirige pouco, tem garagem e uma reserva financeira, a franquia majorada pode ser uma boa forma de economizar.
2. Bônus: o histórico que vale desconto
O bônus é o desconto que você ganha por não acionar o seguro. Ele funciona em classes, normalmente de 0 a 10:
- quem contrata o primeiro seguro começa na classe 0, sem desconto;
- a cada ano de apólice sem indenização, você sobe uma classe na renovação;
- quanto maior a classe, maior o desconto. O percentual de cada classe varia entre as seguradoras.
Quando há uma indenização, a classe cai, e o seu desconto diminui na renovação seguinte.
Três cuidados para não perder o bônus:
- Não deixe a apólice vencer. Se o seguro vence e você fica um tempo sem renovar, pode perder parte ou todo o bônus. As regras de prazo variam entre as seguradoras.
- O bônus é seu, não do carro. Ao trocar de veículo, é possível levar o bônus para o novo carro. Ao trocar de seguradora também, apresentando o histórico da apólice anterior.
- Pense antes de acionar o seguro por um dano pequeno. Se o conserto custa pouco mais que a franquia, acionar o seguro pode fazer você perder uma classe de bônus. Às vezes, o desconto que você perde nos anos seguintes vale mais que a indenização recebida. Vale fazer a conta antes.
3. Perfil: quem dirige, onde e como
O perfil reúne as informações que a seguradora usa para estimar o risco de cada motorista. As principais são:
- Idade e tempo de habilitação do condutor principal: motoristas mais jovens costumam pagar mais.
- Se algum motorista jovem usa o carro: em geral, a faixa considerada vai de 18 a 25 ou 26 anos, conforme a seguradora. É um dos itens que mais encarecem o seguro.
- CEP onde o carro dorme e por onde circula: regiões com mais roubos e acidentes têm prêmio maior.
- Garagem: em casa, no trabalho e na faculdade. Garagem fechada reduz o risco.
- Uso do veículo: particular, trabalho ou aplicativo de transporte.
- Quilometragem e rotina: quem usa o carro todos os dias tem um risco diferente de quem usa só no fim de semana.
Seja preciso no questionário
Pode parecer vantagem responder o questionário de perfil de um jeito que deixe o seguro mais barato, como omitir que o filho de 19 anos usa o carro. Mas, se houver um sinistro e a seguradora constatar que a informação estava errada, ela pode reduzir ou até negar a indenização. O desconto de hoje vira um prejuízo muito maior amanhã.
Outros ajustes que mudam o preço
Além dos três fatores principais, algumas escolhas na apólice também mexem no prêmio:
- Carro reserva: mais dias de carro reserva custam mais.
- Assistência 24 horas: a distância de reboque e os serviços incluídos variam.
- Vidros, faróis e retrovisores: coberturas à parte, que podem compensar em regiões de muito trânsito.
- Coberturas para terceiros: limites maiores de danos materiais e corporais a terceiros custam pouco e protegem muito. Esse costuma ser um dos itens em que não vale economizar.
Em resumo
O preço do seguro auto não é fixo. Ele responde às escolhas que você faz e às informações que você declara. Escolher a franquia certa, cuidar do bônus e declarar o perfil corretamente são as três formas mais seguras de pagar menos.



